quinta-feira, 14 de março de 2019

A primeira circum-navegação - Portuguesa ou Espanhola?






Como nós sabemos, a primeira circum-navegação foi atribuída a Fernão de Magalhães.
Este feito sempre foi muito contestado por Espanha porque na verdade, apesar da visão, da iniciativa, do empreendorismo, da experiência, do conhecimento científico e capitania do português, foi o espanhol Juan Sebastián Elcano que completou a circum-navegação, uma vez que Fernão de Magalhães morreu nas Filipinas.
Vamos então olhar para os factos históricos para podermos fazer um julgamento justo.
Esta aventura começou em 1517, quando Fernão de Magalhães decidiu ir para Espanha oferecer os seus serviços a Carlos V, uma vez que o rei português D.Manuel I lhe recusou um aumento salarial e, principalmente, por não o ter autorizado a ir por uma via Oriental às ricas ilhas em Cravinho chamadas Molucas (Indonésia), que ele conhecia aquando da sua descoberta em 1512. 
Magalhães pretendia chegar a essas ilhas por uma via Ocidental, e provar a Carlos V que lhe pertenciam. Na verdade, as ilhas Molucas pertenciam de facto ao lado português, segundo o Tratado de Tordesilhas. 
Carlos V acreditou na teoria de Magalhães, e como sabia que ele era o único com capacidade científica e náutica para tal empreendimento, deu-lhe uma armada de 5 navios com 237 homens de 9 nacionalidades europeias, 40 dos quais portugueses, e a 20 de Setembro de 1519 partiram para aquela que viria a ser a primeira circum-navegação.
Mas não nos podemos esquecer de um facto extremamente importante.
Magalhães apenas pretendia enriquecer com o muito lucrativo comércio do Cravinho. Prova de que ele não queria dar a volta à Terra vê-se pelo simples facto de Carlos V ter proibido, de forma incisiva, que a sua expedição passasse por águas dominadas pelos portugueses, dando ordens para que a frota depois de chegar ao destino regressasse pelo mesmo caminho, ou seja, por águas espanholas.   
Depois de explorar "mares nunca dantes navegados" a partir da costa sul do Brasil, Magalhães descobre uma enseada que, após vários meses, o levou até uma abertura para um novo Oceano, calmo como uma lagoa, a que ele chamou Pacífico.
Chegado a este novo Oceano, passam mais de três meses até voltarem a avistar terra. Depois de um motim, de várias mortes pelas difíceis condições, doenças, fome, chegar a terra permitiu-lhes recuperar forças e reabastecer os navios de mantimentos para continuar viagem.
Quando chegaram às Filipinas, Fernão de Magalhães envolveu-se numa batalha para ajudar o rei de Cebu, onde acabou por morrer.
Sebastián Elcano não passou de imediato ao comando, mas sim capitães portugueses, quase até chegar às ilhas Molucas.
Depois de abastecerem os porões com Cravinho da única nau sobrevivente, a Vitória, Juan Sebastián Elcano, já há algum tempo comandante, parte para a Europa. Mas arriscou voltar a Espanha por águas portuguesas, navegando a sul do Índico e contornando África pelo Cabo da Boa Esperança. Quando chega ao Atlântico, rumou pela costa ocidental africana para norte, e no dia 6 de Setembro de 1522 finalmente chegam a Sevilha.



Fernão de Magalhães partiu três anos antes com 5 navios e 237 homens, Elcano chegou com 1 navio e apenas 18 tripulantes. 
E assim terminou esta aventura que (apesar da missão ter um objectivo claro: combater o poderio do Império Português e desequilibrar o seu domínio do comércio no Índico, tentando reclamar para Espanha as ilhas Molucas) acabou por se tornar na primeira circum-navegação.

Resumindo: A missão era chegar às Molucas e regressar; o financiamento foi espanhol; Juan Sebastián Elcano liderou a última etapa da viagem; Fernão de Magalhães teve a visão, tinha mapas com uma concepção científica rigorosíssima que os espanhóis não tinham; explorou o "mare incognitum"; encontrou uma enseada (Estreito de Magalhães); baptizou um Oceano (Pacífico).

Deveria portanto haver uma apresentação conjunta, entre Portugal e Espanha, de uma candidatura a Património da Humanidade da Primeira Circum-Navegação.

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